Um doidivanas mostra o seu saber por intermédio das palavras e um pouco da imagem. Poemas, opiniões, revisões. Uma mistura de sociedade e tecnologia. Com temáticas conforme me vou lembrando de escrever.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

A paixão

1 comentário

E num estado equivalente ao de alguém que não vê solução para melhorar a condição humana. Alguém cujas condicionantes nunca tinham sido um problema, que sempre se adaptou.

Alguém que se fechou.

Como alguém que está no seu barco solitário se atira para o mar e vai sendo levado para as profundezas do oceano.


E o corpo morre, mas fica energia numa pedra, uma pedra com coração bem nas profundezas de algo, onde para um lado um abismo escuro e para cima uma pequena luz.


E num pequeno oasis, sai de uma gruta uma amiga a chorar, dirige-se para o lago, e vê suas lágrimas caírem no seu reflexo na água. E chora, como está triste esta amiga.

As lágrimas transportavam a energia do sofrimento, passam o limite da profundidade do lago e caem sobre a luz mesmo em cima da pedra que estava de coração fechado mas em paz, recebe com as lágrimas de sofrimento e desperta! Como pode haver tanto sofrimento! Depois das lágrimas derramadas, a amiga vagueia pelo oasis estando sempre uma tartaruga a observar. Até que ela se vá embora pela gruta.


A pedra com coração recebeu as lágrimas, o que contribuiu para aparecer algo de diferente, o que era meio lilás, passou a ter azul, com uns pirilampos que nadavam em função do temperamento do coração da pedra.

E certo dia a menina sai da gruta e nas suas lágrimas para o lago, deseja alguém que a entenda.

E a pedra ao receber tais lágrimas projecta-se para cima cheia de energia, uma afirmação, estou aqui para ti.


E a amiga a olhar o lago já não vi-a o reflexo dela mas sim de alguém! Está alguém do outro lado! E olha para trás pensando que não estava sozinha e não está ninguém. E olha para o lago novamente e vê-se acompanhada por alguém. Agora ouve uma voz.


Olá amiga. - disse. A amiga muito assustada diz: - Olá.

Quem és tu? - pergunta assustada.

Eu sou quem procuras, quem pediste, eu sofro por ti se quiseres, desde que tu fiques bem eu aguento tudo, não quero é ver-te chorar.

Tu desejas-te, eu apareci.


E o entendimento foi absoluto, os desejos foram todos preenchidos.

Uma vez nadaram do lago até a uma cascata, e ficaram de pé a sentirem-se um ao outro, sem penetração normal, eram os dedos dele e a mão dela que apreciavam os sexos. Tudo pelo tacto.

De outra vez foi um experimentar de posições, umas com pujança outras mais suaves.


A paixão começava a cegar, então o amigo pergunta à amiga:

- Ainda não entendes a paixão?

Vens aqui procurar entendimento, harmonia e no fundo só satisfazes os teus desejos. E não tarda apareces insatisfeita.

Ainda não entendeste o ciclo?

Sim a paixã é como uma flor.

O amigo sorri e diz:

Sim, e o desejo entendeste?

A menina responde:

É também como uma flor.

E o amigo pede para ela não comparar, para definir o ciclo.

Ela diz que não consegue.

E o amigo diz:

O desejo é um mero ciclo entre a satisfação e a insatisfação e nunca se está satisfeito.


A tartaruga não tem visto a menina.

E em redor da pedra os pirilampos dançam em harmonia.

1 comentário :

  1. Gostei muito, especialmente a definição de desejo!

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